quarta-feira, 27 de março de 2013

Entrevista do Prof. Milling sobre o conjunto Rodney Mack Philadelphia Big Brass



O professor Milling confirmou sua colaboração no grupo Rodney Mack Philadelphia Big Brass (EUA), em entrevista concedida à equipe do Sr. Rodney Mack (primo do trompetista Wynton Marsalis). Darrin e Rodney se formaram juntos no Curtis Institute of Music nos EUA

 Vídeo da entrevista do Prof. Milling

terça-feira, 19 de março de 2013

Audições para o Festival de Luzerne 2013


Festival em Lake Luzerne, Nova York

Caros alunos,

O Festival de Luzerne (EUA) recebe alunos entre 09 a 18 anos de todas as partes do mundo e oferece um programa educacional com professores membros da Orquestra da Filadélfia e outros instrutores de várias instituições e conjuntos renomados mundialmente.

As informações sobre inscrição, custos e bolsas de estudo estão disponíveis no site
http://luzernemusic.org/ 

O valor total do Festival é U$ 3,995.00. Os interessados à bolsa do Festival devem entrar em contato com a Sra. Maria Elisa Tanaka (matanakalbp@gmail.com) para o agendamento do teste no Brasil. Para a realização do teste, o candidato precisa efetuar o pagamento da taxa de inscrição no valor de R$132.00. Caso o candidato seja aprovado no teste, as despesas referentes à emissão do visto para Estados Unidos e a passagem aérea são de responsabilidade do aluno, mesmo que este tenha sido contemplado com a bolsa.

Demais dúvidas por parte dos interessados deverão ser encaminhadas à administração do Festival (info@luzernemusic.org). 
Lake Luzerne, Nova York

23 de Junho a 19 de Julho para alunos entre 9 e 14 anos e de
22 de julho a 18 de agosto para alunos entre 15 e 18 anos.

AUDIÇÃO EM SÃO PAULO

24 e 25 de Março de 2013 das 14h00 às 17h00

EMESP
Escola de Música do Estado de São Paulo - 
Tom Jobim
Largo General Osório, 147
Luz, São Paulo – SP Brasil 01213-010



Para agendar uma audição e mais informações, por favor acesse www.luzernemusic.org.

Aberto para cordas, madeiras, metais, percussão e piano.

Requisitos para audição:
  • 1 peça solo livre,
  • 2 trechos orquestrais de livre escolha e,
  • uma peça à primeira vista a ser apresentada pelo avaliador no dia do teste.



Elizabeth Pitcairn – Presidente e Diretora Artística

quinta-feira, 7 de março de 2013

Um lugar na história para o músico



Recentemente uma musicista de certa orquestra em São Paulo, após três décadas tocando, decidiu se aposentar. Além da antecipação do pagamento de seus diretos trabalhistas, foi feito um anúncio durante um concerto e a integrante deu um discurso em público. Uma recepção também foi organizada por seus colegas de trabalho e todos se despediram da querida colega com abraços e presentes. Comecei a pensar sobre o trabalho de longo tempo desta musicista, seu lugar na história do conjunto e a vida de aposentada que esta irá seguir. Tal fato também me levou a pensar e refletir sobre tantos outros músicos que já saíram da orquestra mas sem nenhum tipo de anúncio, reconhecimento ou comemorações.

Acredito que a despedida de um músico que permaneceu num conjunto sinfônico por tantos anos deve ser um processo digno, um momento para comemorar e exaltar toda a contribuição que o músico ofereceu ao longo dos anos.
Como músico, conselheiro e consultor de orquestras, me preocupo sempre com a falta de reconhecimento dos integrantes de uma orquestra, cuja maioria não tem seu nome incluído nos créditos das capas de CDs gravados, por exemplo. Portanto, creio que todas as orquestras estabelecidas que gravam discos ou transmitem concertos via internet e na televisão devem zelar pelos acordos feitos com músicos, gravadoras, distribuidoras, televisão e com o sindicato, para que estes sejam completos e transparentes, incluindo os futuros pagamentos de ‘resíduos’ e ‘royalties’ aos musicistas que participaram de tal gravação.
Questiono a política de uma orquestra onde a história de um de seus músicos é encontrada apenas nos dados no RH ou em programas arquivados. É uma falta de respeito o não reconhecimento de participantes nas capas de CDs e nas transmissões, tanto que ao não atribuir tal crédito ao músico, a instituição acaba  negando  a existência do ex-integrante, uma vez que o mesmo não se encontrará mais listado no site da orquestra, nem nos programas de concertos atuais e nem nas capas de CDs que estarão à venda mesmo depois de sua saída. Em outras palavras, sem os créditos o músico desaparece da história da orquestra, o que não remete à realidade.
Para o músico, o desrespeito por não ter recebido seus resíduos e royalties não é de tamanha importância enquanto este ainda está trabalhando como funcionário fixo da orquestra, mas posteriormente, quando se tornar um aposentado cada recurso à disposição será contado e é nessa hora em que os resíduos e royalties não recebidos farão a diferença. Devido a tal fato, também questiono a política anti-ética optada, as vezes pelos próprios músicos e seus representantes, de recolher o pagamento de resíduos e royalties de todos e fazer a distribuição para os músicos sem considerar quem participou ou não das gravações e transmissões. A não atribuição de créditos aos envolvidos nos projetos e a má distribuição de resíduos e royalties, acaba com a chance de um músico aposentado receber seus resíduos e royalties futuramente, uma vez que ele jamais terá à disposição tais créditos que lhe deveriam ser concedidos depois de sair do conjunto.


Embora existam muitos músicos que já recebem resíduos e royalties no Brasil, por exemplo os que tocam em musicais, concertos de jazz e de música popular, parece que há uma exclusão do grupo de músicos de orquestras sinfônicas, estes ainda não recebem esse tipo de benefício. Existem organizações que fazem o recebimento e pagamento de resíduos e royalties no país, similar ao que ocorre nos EUA e na Europa, porém não são todos os músicos que tem acesso aos mesmos diretos.


Em contraste à situação no Brasil, orquestras européias e norte americanas oferecem placas e / ou fotos em homenagem ao músico que se retira, estas homenagens ficam em exibição no prédio da sede da orquestra, anúncios sobre a aposentadoria dos músicos são publicados em jornais e também há ‘resíduos’ e ‘royalties’ pagos para musicistas devido à acordos feitos entre orquestras, produtoras, televisão, gravadoras e sindicatos onde existe um cadastro para os músicos que gravaram e termos de remuneração de lucros recebidos pelo distribuidor e / ou gravadora.   


Por fim, espero que um músico de orquestra no Brasil, ao se aposentar ou tiver que se retirar, por razões de saúde por exemplo, também possa receber todos seus diretos, elogios, ter um lugar na história e reconhecimento público.
Será que os músicos que tocaram em gravações ou transmissões de vídeo no Brasil não merecem algo a mais do que uma cópia do CD ou DVD, uma vez que esse bem ou produto à venda ao redor do mundo pode ser uma fonte de renda no futuro?
Será que o músico no Brasil que, por décadas dedicadas ao grupo, colaborou e contribuiu em frente à milhões de pessoas não merece um lugar na história para ser exibido com dignidade?


Como o simples músico que sou, adoro o que faço no palco junto com meus colegas do Low Brass Project e Quinteto de Metais São Paulo e fico grato pela demanda de concertos eruditos e pelo mercado de trabalho que existe para instrumentistas ao redor do mundo, mas penso que as instituições de orquestra no Brasil ainda deixam a desejar no quesito transparência e respeito no relacionamento com os músicos que contribuíram e continuam a contribuir com os projetos.

Um exemplo a ser seguido é a política simples de respeito e inclusão que instituições de sucesso nos Estados Unidos e na Europa adotam, fazendo com que estas rendam mais do que os números dos relatórios administrativos mostram; cultura, respeito e tradição que todos reconhecem tanto dentro como fora da orquestra, esse sim é o verdadeiro legado ques estas instituições carregam.


Anotações:
- para saber mais sobre o assunto de ‘resíduos’ e ‘royalties’ acesse: "Residuals and Royalties for Musicians and Others"**


- também leia esta matéria sobre a profissão de orquestra por Douglas Yeo que explica sobre as normas dos benefícios dados aos músicos no exterior: "Pros and Cons to a Career in Orchestral Music"**


- veja referências de músicos que foram honrados no momento de sua saída: "New: Longest serving orchestral players – the ultimate list"**


**Textos em inglês